Abra a porta do quarto das crianças para a Economia Compartilhada

Compartilhamento novembro 28, 2015

| A Economia Compartilhada invade o universo materno pra dar uma mãozinha com aquilo que não serve mais nas crianças.

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Nessa última sexta-feira, uma ação de vendas de lojas físicas e online prometeu oferecer “superdescontos” em muitos de seus produtos para estimular os brasileiros a ir às compras mesmo num momento de crise. Esse ano especialmente, a Black Friday, que acontece em toda a última sexta-feira do mês de novembro, dia subseqüente ao feriado de Ação de Graças (Thanksgiving Day) celebrado nos Estados Unidos, veio com a promessa de provocar o maior frenesi nos consumistas de plantão que vêem essas ofertas, claramente duvidosas, como uma oportunidade “incrível” de comprar quase sempre de forma exagerada e desnecessária, ainda que o orçamento esteja bem justo.

Nada é mais oportuno nesse momento do que falarmos de um movimento já conhecido por muitos, criado como uma alternativa econômica ao sistema tradicional de produção e consumo massivo de bens, que traduz uma forma mais humana e sustentável de consumir: a economia compartilhada.

A ideia da economia compartilhada (ou economia colaborativa ou consumo colaborativo) é priorizar o acesso ao produto muito mais do que a posse do produto. Se o que precisamos é daquilo que o produto oferece e não do produto em si (um exemplo clássico para assimilar melhor é entender que não precisamos de uma furadeira mas do furo que ela proporciona), por que sair comprando tudo sem critério?

O movimento propõe, então, que ao invés de comprar algo novo, passemos a trocar, alugar ou compartilhar, através de plataformas tecnológicas que além de aproximar pessoas desconhecidas, de lugares distantes, fornece mecanismos de confiabilidade e segurança, afinal, até que as pessoas sejam conhecidas por sua reputação, alguém precisa intermediar essas conexões para que sejam minimamente confiáveis.

Os serviços são diversos e vão desde a carona remunerada (Uber), o compartilhamento de veículos (Fleety), de conhecimento (Cinese) e de objetos (Tem Açúcar) até hospedagem em sua própria residência (Airbnb) e redistribuição daquilo que não lhe serve mais (Enjoei).

É claro que, diante de tantas ideias de compartilhamento, haveria também aquelas voltadas para as mães que pagam tão caro em objetos e roupas de bebês e os perdem muito, muito rápido.

Aqui seguem 6 sugestões de plataformas criadas para dar uma mãozinha com aquilo que não serve mais nas crianças. Participar e aderir ao movimento nos garante uma boa oportunidade de economizar, gerar uma graninha extra, conhecer pessoas diferentes e dar vida nova aos objetos que já nos foram úteis um dia, uma verdadeira contribuição à sustentabilidade.

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Quintal de Trocas – Uma plataforma que possibilita a troca de brinquedos, jogos, livros e outros objetos infantis. Basta tirar uma foto do que a criança deseja oferecer e enviar para o site. Lá ela também escolhe o que quer receber em troca desse item que ofereceu. O site envia uma mensagem para o atual proprietário do item desejado que verifica se ele tem interesse em fazer a troca. Se # a resposta for positiva, os pais são convidados a combinar a troca dos objetos em algum posto de troca ou ainda fazê-la pelos Correios.

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Retroca – Uma loja online de compra e venda de roupas e calçados usados infantis. Se você deseja se desfazer das peças que seu filho não utiliza mais, basta solicitar à loja uma sacola para que possa despachar esses itens que deseja vender. O site faz a inspeção das peças e realiza o pagamento de todas elas, conforme uma tabela de preços disponibilizada antecipadamente. Se você deseja comprar, as peças em bom estado de marcas inclusive importadas como Baby Gap e Ralph Lauren, chegam a ter até 70% de desconto com relação ao preço das mesmas peças novas.

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Joanninha – Um site de aluguel de brinquedos. Você escolhe um plano dentre os quatro disponíveis com preços que variam de R$ 95,00 à R$ 180,00. Cada plano lhe oferece uma quantidade de moedas de trocas (joanninhas) que lhe permite alugar uma quantidade de brinquedos correspondentes. Por exemplo, o plano 8 cujo valor é R$ 155,00/mês te dá direito à 8 joanninhas por mês. Você pode então escolher 4 brinquedos que valem 2 joanninhas, 2 brinquedos que valem 4 joanninhas, 1 brinquedo que vale 8 joanninhas e assim sucessivamente. O tempo pra ficar com cada brinquedo é indeterminado mas o site incentiva que as trocas aconteçam mensalmente.

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Ficou Pequeno – Uma loja online de compra e venda de uma série de artigos infantis, de acessórios e brinquedos à móveis e roupinhas. Você cria sua própria lojinha e divulga os produtos de segunda mão (na condição de quase novo ou nunca usado) que quer vender. O site oferece os meios de pagamento ao comprador fazendo a intermediação financeira. A entrega do produto é de responsabilidade do vendedor. Depois que ela é confirmada, o site repassa o pagamento para a conta bancária do dono da lojinha, com um desconto de 20% que se refere à uma comissão, parte em que o site ganha por oferecer a plataforma.

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Alana – Feira de Trocas de Brinquedos – O Instituto Alana promove feiras de troca de brinquedos e oferece ferramentas para que elas sejam realizadas de forma independente, por qualquer pessoa que deseja tê-las em sua comunidade ou bairro. O instituto contribui com material de apoio que orienta principalmente quem nunca organizou esse tipo de evento. O site divulga todas as feiras programadas e te permite visualizá-las facilmente através de filtros por datas ou cidades.

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Troca Figurinhas – Até as figurinhas não escapam à possibilidade de troca. Basta você se cadastrar, cadastrar suas figurinhas e solicitar a troca com outros colecionadores de álbuns. A transação é feita pelos Correios e depois de recebidas, os usuários precisam qualificar o colecionador.

Slow Parenting: um movimento para desacelerar o ritmo das crianças

Comportamento novembro 26, 2015

| Em tempos em que a infância se tornou uma corrida rumo à perfeição e ao sucesso, o Slow Parenting ganha força para defender o pé no freio.

Sophia fofinha aos 5 anos!

Sophia amava um parquinho, aos 5 anos!

Sophia, minha enteada de 10 anos, acaba de finalizar as últimas provas da escola e está ansiosa para o período mais esperado do ano: as férias de verão.

Não só para a Sophia, mas para toda a criançada em idade escolar, serão mais de oito semanas livres da rotina de estudos e minha torcida sincera é para que seus pais consigam estar mais disponíveis para aproveitarem juntos esses momentos, sem pressa, sem stress e sem obrigações.

Infelizmente, em muitas famílias, nem as férias escapam à necessidade de preenchimento do tempo vago das crianças. Há pais que já se programaram e lotaram o calendário de férias de seus pequenos para que se ocupem com atividades extracurriculares ao longo desse período. Entram nessa roda, balé, judô, natação, música, coral, pintura, desenho, teatro, inglês e toda sorte de coisas “importantes” que não deu tempo de realizar de fevereiro a dezembro. Uma verdadeira sobrecarga, não diferente do ano inteiro que passou.

Como forma de conter essa loucura característica dos tempos atuais, em que pais se vêem preocupados e pressionados a super educar e bem formar os seus filhos para que se tornem adultos de sucesso, um movimento iniciado na Europa e nos EUA cresce e ganha espaço no mundo todo com a proposta de desaceleração da rotina das crianças.

Estou falando do Slow Parenting ou movimento dos “pais sem pressa”, propagado fortemente pelo jornalista e escritor escocês Carl Honoré. Carl passou a promover a filosofia da lentidão depois de ter vivenciado situações com seus próprios filhos que, segundo ele, serviram para lhe mostrar que a dinâmica apressada de sua família não estava mais funcionando bem.

A busca por canções de ninar de um minuto, o hábito de apressar o final das clássicas histórias de dormir e o desejo de transformar seu filho em um “Picaso” quando ele somente queria desenhar, são só alguns exemplos do comportamento que o jornalista passou a julgar inadequado quando decidiu repensar a sua forma de exercer a paternidade.

O movimento Slow, que se expressa em uma série de “categorias” (slow food, slow fashion, slow design, slow life, etc), caiu como uma luva quando direcionado para as crianças porque sugere o resgate daquilo que deveria ser o mais natural, mas que foi invertido ao longo de décadas: a verdadeira infância.

Tempo livre pra brincar e espaço para explorar o mundo dentro de seus próprios pontos de vistas diz respeito ao que o Slow Parenting propõe.

Não se trata de fazer as coisas de forma lenta, no ritmo de um caracol, mas de fazer na velocidade certa.

Tem a ver com priorizar qualidade ao invés de quantidade, promover conexões humanas, reais e significativas e, estar presente no momento.

Tem a ver também em permitir que os filhos externem o que eles são e não o que os pais desejam que eles sejam.

Tem a ver em não achar que o ócio, o descanso e o não fazer nada é só tempo perdido.

Tem a ver com cuidar do tempo junto, ainda que ele seja curto, doando sempre amor e atenção em qualquer condição.

Conheça mais:

# Ted Talks: Carl Honore homenageia a lentidão e fala nessa palestra sobre comportamentos acelerados, viver a vida com pressa e o movimento slow com suas variações.

# Livros:

Devagar_CarlHonore_SlowParenting
Best-seller lançado em 25 países, Devagar: Como um movimento mundial está desafiando o culto da velocidade, fala a respeito de nossa relação com o tempo e sobre as conseqüências que viver de forma acelerada traz às nossas vidas. Uma reflexão para aqueles que estão sempre com pressa lamentando a falta de tempo em seu dia-a-dia.

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Sob Pressão é um alerta aos pais que transformaram a infância de seus filhos em uma corrida em busca do sucesso. Usando os filhos como forma de viver a própria vida ou compensar as frustrações pessoais, os adultos destruíram a magia e a inocência da infância. Carl Honoré explica nesse livro como o moderno enfoque da infância é um completo fracasso e quais são os desafios para que essa situação seja revertida.

# Slow Kids:

No Brasil, o Slow Kids é o nome dado ao evento que promove a desaceleração do ritmo das crianças e das famílias em um encontro com muita brincadeira ao ar livre, shows, piqueniques e oficinas. Sua primeira edição aconteceu em 2013, no Parque da Água Branca, em São Paulo. No ano passado foi a vez do Museu da Casa Brasileira e do Parque Burle Marx recebê-lo. Esse ano mais duas edições aconteceram, no Parque Burle Marx e no Parque Villa Lobos, essa última com programação o dia todo.

“De peito aberto”: um filme sobre amamentação que espera a sua colaboração

Amamentação novembro 18, 2015

| Ele já começou a ser rodado e conta agora com financiamento coletivo para dividir com muito mais pessoas questões importantes que envolvem a amamentação.

 

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Quando a maternidade bate a porta, quão prazeroso não deve ser a sensação de fazer jorrar dos seus seios o alimento mais natural e nutritivo que uma mãe pode oferecer ao seu filho. Muitas vezes o caminho é árduo, muitas dificuldades aparecem, mas quando ao final tudo dá certo, o alívio, a alegria e o sentimento de gratidão devem brotar fortemente do coração.

Por outro lado, há aquelas que não conseguem vivenciar essa maravilhosa condição quando tem um filho. Infelizmente muitas mães têm relatos tristes pra contar sobre experiências mal sucedidas na tentativa de amamentar seus bebês. Eu sou uma delas e passado quase um ano do nascimento do meu filho e 11 meses de seu desmame (na verdade, eu nunca o amamentei efetivamente, conto em breve isso por aqui), hoje consigo entender melhor tudo o que passou, ainda claro, carregando fagulhas de uma frustração difícil de apagar.

Amamentar não é instintivo. O peito da mãe e a boquinha do bebê não se conectam em perfeita harmonia logo no primeiro encontro. Pelo menos, não na maioria dos casos. Até que a pega seja perfeita, muita prática, tentativa, stress, dor e suor acometem as tentativas. É nessa hora que se não existir uma rede pronta para apoiar essa mãe, já toda fragilizada pelas dificuldades que encontrou, ela sucumbe ao insucesso desses primeiros momentos, ficando a um passo de adentrar às estatísticas de mães que desmamam seus bebês precocemente.

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foto retirada da página do Facebook do filme “De Peito Aberto”

Aliás, que a decisão de desmamar tão cedo um filho ganha uma forcinha extra de gente pronta pra isso, com total interesse em fazer acontecer. Existe uma indústria alimentícia que lucra milhões prontinha para substituir o leite materno e profissionais de saúde bem motivados ($$$$) pra orientar a fazer isso o mais breve possível. Com tantos incentivos assim, unidos a muita desinformação, não é difícil entender o porquê muitas mães fazem essa opção.

Graziela Mantoanelli, atriz e mãe de uma garotinha de 2 anos, idealizou o documentário De Peito Aberto para contar todas as nuances que envolvem a amamentação. As dificuldades e a necessidade de apoio vindas de sua própria experiência foram o que a motivou a querer falar sobre o assunto. Depoimentos de mães que tentam oferecer o aleitamento exclusivo até os 6 primeiros meses de vida de seus filhos, além de especialistas como o pediatra espanhol Carlos González e o brasileiro Daniel Becker, fazem parte do filme. Ele, que já começou a ser rodado com recursos próprios, conta agora com um financiamento coletivo para ser finalizado.

O site que recebe as doações financeiras é esse aqui. Os valores variam de R$ 20,00 à R$ 10.000,00. A meta a ser atingida é de R$ 67.500,00 e precisa ser batida até dia 13/12/2015. É tudo ou nada! Até o momento o valor alcançado foi de R$ 10.170,00, 15% do valor total.

Incentive esse projeto. Quem apoia o aleitamento materno precisa apoiar quem quer falar mais sobre isso.

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